quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Novidades de Tratamento da Diabetes

 
O diabetes pode estar relacionado à maneira como a pessoa interpreta, aceitando ou não, o fato. A maneira de encarar e tratar o diabetes depende muito da estrutura, personalidade e disciplina. Pode-se ter uma qualidade de saúde altamente satisfatória, assim como  podemos fazer do diabetes a desculpa para os nossos insucessos.

Saber controlar a taxa de glicemia é um grande estímulo para o gerenciamento físico e mental do organismo. Quanto mais você seguir a orientação do endocrinologista, obedecer a um programa alimentar sem restrições radicais, tiver o hábito de fazer exercícios e privilegiar aquilo do que gosta, menores as chances de hipoglicemia ou desenvolver doenças oportunistas.

Especialista no tratamento do diabetes, o endocrinologista Dr. Antônio Roberto Chacra, fala das últimas novidades no tratamento do diabetes, mostradas no mais recente congresso da ADA (Associação Americana de Diabetes), realizado em junho em New Orleans, nos Estados Unidos.

Na entrevista abaixo o Dr. Chacra também dá algumas recomendações úteis, as quais certamente serão um grande incentivo para você melhorar seu estilo de vida.

Quais as principais novidades apresentadas no Congresso da Associação Americana de Diabetes?

-         Os trabalhos apresentados demonstraram grande progresso nas pesquisas e estudos sobre o tratamento do diabetes. Um dos temas abordados, que mereceu muita atenção e entusiasmo, foi a Insulina Glargina, também chamada de Insulina Lantus, que deve ser administrada uma vez ao dia. Essa insulina dá um basal das necessidades do paciente, depois da suplementação da insulina ultra-rápida nas refeições, para cobrir a digestão dos carboidratos e baixar a glicemia pós-prndial, ou seja, o açúcar que sobra no sangue após as refeições. A introdução da Insulina Glargina evita picos de glicemia e, portanto, o paciente tem menos hipoglicemia. Ela é importante, no sentido de um controle mais estável, para quem tem diabetes, fazendo baixar o resultado da hemoglobina glicosilada.

Foram abordadas algumas novas estratégias do tratamento para as complicações crônicas do Diabetes?

-         Houve um grande simpósio sobre o assunto, dando ênfase à dieta e ao exercício, com o chamado estudo “STENO-2”. STENO é um grande centro de diabetes em Copenhague, Dinamarca. O país se dedica muito ao estudo do Diabetes, tanto na parte de controle como de pesquisa. O estudo apresentado mostrou que, com mudança de hábitos, reeducação alimentar e aeróbica, o nível de açúcar no sangue baixa, assim como a pressão arterial e o colesterol também ficam mais controlados. Isso tudo é importante, porque permite prevenir complicações do diabetes, principalmente do tipo 2, como a ocorrência de infarto do miocárdio e outras doenças coronarianas.

Quais são os grandes progressos no tratamento do diabetes?

-         Na minha opinião, o maior progresso em relação ao tratamento do diabetes tipo 1 é o transplante. Foram apresentados vários trabalhos com transplante total do pâncreas e de ilhotas. Mais cedo ou mais tarde, estaremos indicando esse procedimento. É claro que ainda existe o problema da imuno-rejeição, obrigando o paciente a tomar imunossupressores. Porém, os trabalhos apresentados inicialmente têm demonstrado que os pacientes ficam livres das injeções de insulina e do controle rigoroso.

Com relação à genética, como estão os estudos?

-         Na parte genética, os estudos estão progredindo com o objetivo de detectar os defeitos genéticos do diabetes tipo 2. As dificuldades são grandes, porque a doença envolve mais de 1 gene.

O que mudou com relação à monitorização nos últimos anos?

-         Os trabalhos de educação têm demostrado a necessidade imperiosa de monitorização. Novos aparelhos para medir o nível de glicose no sangue têm sido introduzidos no mercado brasileiro, como o Accu-Check Active considerado o monitor mais rápido para medir a taxa de glicemia. O paciente procura a conveniência, aquilo que é menos trabalhoso. Os aparelhos estão bastante precisos e com isso a pessoa toma a decisão de quanta insulina necessita e se está apresentando ou não hipoglicemia.

Em termos de medicações orais, o que há de novo?

-         Brevemente devemos contar com outros hipoglicemiantes orais, como análogos do Gli, que é Glucagon e Like-Peptide-I, que são medicamentos que devem entrar no arsenal terapêutico do tratamento do diabetes tipo 2.

Quais as novidades em insulinoterapia?

-         Em relação às novidades em insulinoterapia, já está em estudo a insulina inalada. Mas é bom lembrar que essa é uma insulina de ação rápida. Ainda não podemos dispensar a aplicação da insulina lenta NPH ou, mais modernamente, a Insulina Glargina Lantus. A insulina inalada virá substituir as insulinas de ação ultra-rápida, necessárias no controle da glicose após as refeições. A inalada vai ser um grande progresso, principalmente para o diabetes tipo 2 que precisa controle de glicemia pós-prandial para evitar que a pessoa desenvolva doenças cardiovasculares.

Quando deve ser indicada a insulinoterapia para o diabetes tipo 2?

-         A insulinoterapia deve ser indicada para o paciente com diabetes tipo 2 sempre que houver falha da dieta, dos exercícios, e os medicamentos orais não seguirem o controle adequado. Modernamente, a idéia é não esperar tanto e a insulina pode ser introduzida mais precocemente. É importante mencionar que antes temos de tratar a resistência à insulina, com sensibilizadores como a Metformina e as Glitazorias. Porém, assim que o paciente começar a apresentar deficiência mais acentuada da insulina, é preciso entrar com insulina por injeções. A Insulina Glargina vai propiciar uma dose de insulina basal e com isso um controle melhor, mesmo quando o paciente está tomando o medicamento oral.

Qual é sua indicação para o paciente com diabetes tipo 1?

-         No diabetes tipo 1 não há dúvida, é sempre a insulina. Se a insulina não for administrada, o paciente tem uma sobrevida curta, como eram os casos de diabetes antes de 1921, o ano da grande descoberta da insulina.

Quais as dicas para quem toma medicamento e faz aplicação de insulina diariamente?

-         A dica principal é fazer dieta e exercícios, sobretudo para o tipo 2. Essa conduta pode diminuir a quantidade de insulina e de remédios, o que é uma beleza. Os dinamarqueses, como já mencionei, demonstraram isso no trabalho apresentado no congresso da ADA. A insulina deve ser tomada na dose adequada e não tentar diminuir se, realmente, o diabetes não estiver controlado.

É muito importante também o controle da pressão arterial e do colesterol no paciente com diabetes, principalmente tipo 2, para evitar infarto e outras complicações. O diabetes tipo 2 está crescendo no mundo inteiro. São 150 milhôes de pessoas com esse problema. Provavelmente, isso está ligado à alimentação errada, vida sedentária e obesidade.

A melhor sugestão é praticar bons hábitos, estar atento aos sinais do organismo, controlar a taxa de glicemia e ter sempre uma boa qualidade de vida.


Fonte: Revista “De Bem Com a Vida” (Roche Diagnóstica)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Diabetes Mellitus

Diabetes Mellitus

O que  é ?

Doença provocada pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina, que leva a sintomas agudos e a complicações crônicas características.
O distúrbio envolve o metabolismo da glicose, das gorduras e das proteínas e tem graves conseqüências tanto quando surge rapidamente como quando se instala lentamente. Nos dias atuais se constitui em problema de saúde pública pelo número de pessoas que apresentam a doença, principalmente no Brasil.
Quando não tratada adequadamente, causa doenças tais como infarto do coraçãoderrame cerebralinsuficiência renalproblemas visuais e lesões de difícil cicatrização, dentre outras complicações.



Apresenta Varias Formas clinicas, que se classificam em:

Diabetes Mellitus tipo I

Diabetes Mellitus tipo I

No caso da Diabetes mellitus tipo 1, esta aparece quando o Sistema imunitário do doente ataca as células beta do pâncreas. A causa desta confusão ainda não foi definida, apesar de parecer estar associada a casos de constipações e outras doenças. O tipo de alimentação, o estilo de vida, etc. não têm qualquer influência no aparecimento deste tipo de diabetes.
Normalmente se inicia na infância ou adolescência, e se caracteriza por um déficit de insulina, devido à destruição das células beta do pâncreas por processos auto-imunes ou idiopáticos. Só cerca de 1 em 20 pessoas diabéticas tem diabetes tipo 1, a qual se apresenta mais frequentemente entre jovens e crianças. Este tipo de diabetes se conhecia como diabetes mellitus insulino-dependente ou diabetes infantil. Nela, o corpo produz pouca ou nenhuma insulina. As pessoas que padecem dela devem receber injeções diárias de insulina.

Diabetes Mellitus tipo II

Diabetes Mellitus tipo II:

Já não se deve usar o termo Diabetes Não Insulino-dependente, mas sim Diabetes Tardio, tem mecanismo fisiopatológico complexo e não completamente elucidado. Parece haver uma diminuição na resposta dos receptores de glicose presentes no tecido periférico à insulina, levando ao fenômeno de resistência à insulina. As células beta do pâncreas aumentam a produção de insulina e, ao longo dos anos, a resistência à insulina acaba por levar as células beta à exaustão.
Desenvolve-se frequentemente em etapas adultas da vida e é muito frequente a associação com a obesidade e idosos; anteriormente denominada diabetes do adultodiabetes relacionada com a obesidadediabetes não insulino-dependente. Vários fármacos e outras causas podem, contudo, causar este tipo de diabetes.

Diabetes Gestacional

Diabetes Gestacional:

diabetes gestacional também envolve uma combinação de secreção e responsividade de insulina inadequados, assemelhando-se à diabetes tipo 2 em diversos aspectos. Ela se desenvolve durante a gravidez e pode melhorar ou desaparecer após o nascimento do bebê. Embora possa ser temporária, a diabetes gestacional pode trazer danos à saúde do feto e/ou da mãe, e cerca de 20% a 50% das mulheres com diabetes gestacional desenvolvem diabetes tipo 2 mais tardiamente na vida.
A diabetes mellitus gestacional (DMG) ocorre em cerca de 2% a 5% de todas as gravidezes. Ela é temporária e completamente tratável mas, se não tratada, pode causar problemas com a gravidez, incluindo macrossomia fetal (peso elevado do bebê ao nascer), malformações fetais e doença cardíaca congênita. Ela requer supervisão médica cuidadosa durante a gravidez. Os riscos fetais/neonatais associados à DMG incluem anomalias congênitas como malformações cardíacas, do sistema nervoso central e de músculos esqueléticos. A insulina fetal aumentada pode inibir a produção de surfactante fetal e pode causar problemas respiratórios. A hiperbilirrubinemia pode causar a destruição de hemácias. Em muitos casos, a morte perinatal pode ocorrer, mais comumente como um resultado da má profusão placentária devido a um prejuízo vascular.

Sintomas

Sintomas

A tríade clássica dos sintomas da diabetes:
  • poliúria (aumento do volume urinário),
  • polidipsia (sede aumentada e aumento de ingestão de líquidos),
  • polifagia (apetite aumentado).
Pode ocorrer perda de peso. Estes sintomas podem se desenvolver bastante rapidamente no tipo 1, particularmente em crianças (semanas ou meses) ou pode ser sutil ou completamente ausente — assim como pode se desenvolver muito mais lentamente — no tipo 2. No tipo 1 pode haver também perda de peso (apesar da fome aumentada ou normal) e fadiga. Estes sintomas podem também se manifestar na diabetes tipo 2 em pacientes cuja diabetes é mal controlada.

Complicacões

Complicacões

Os sintomas das complicações envolvem queixas visuais, cardíacas, circulatórias, digestivas, renais, urinárias, neurológicas, dermatológicas e ortopédicas, entre outras.
 
Sintomas visuais:

O paciente com DM descompensado apresenta visão borrada e dificuldade de refração. As complicações a longo prazo envolvem diminuição da acuidade visual e visão turva que podem estar associadas a catarata ou a alterações retinianas denominadas retinopatia diabética. A retinopatia diabética pode levar ao envolvimento importante da retina causando inclusive descolamento de retina, hemorragia vítrea e cegueira.
Sintomas cardíacos:

Pacientes diabéticos apresentam uma maior prevalência de hipertensão arterial, obesidade e alterações de gorduras. Por estes motivos e, principalmente se houver tabagismo associado, pode ocorrer doença cardíaca. A doença cardíaca pode envolver as coronárias, o músculo cardíaco e o sistema de condução dos estímulos elétricos do coração. Como o paciente apresenta em geral também algum grau de alteração dos nervos do coração, as alterações cardíacas podem não provocar nenhum sintoma, sendo descobertas apenas na presença de sintomas mais graves como o infarto do miocárdio, a insuficiência cardíaca e as arritmias.
Sintomas circulatórios:

Os mesmos fatores que se associam a outras complicações tornam mais freqüentes as alterações circulatórias que se manifestam por arteriosclerose de diversos vasos sangüíneos. São freqüentes as complicações que obstruem vasos importantes como as carótidas, a aorta, as artérias ilíacas, e diversas outras de extremidades. Essas alterações são particularmente importantes nos membros inferiores (pernas e pés), levando a um conjunto de alterações que compõem o "pé diabético". O "pé diabético" envolve, além das alterações circulatórias, os nervos periféricos (neuropatia periférica), infecções fúngicas e bacterianas e úlceras de pressão. Estas alterações podem levar a amputação de membros inferiores, com grave comprometimento da qualidade de vida.
Sintomas digestivos:

Pacientes diabéticos podem apresentar comprometimento da inervação do tubo digestivo, com diminuição de sua movimentação, principalmente em nível de estômago e intestino grosso. Estas alterações podem provocar sintomas de distensão abdominal e vômitos com resíduos alimentares e diarréia. A diarréia é caracteristicamente noturna, e ocorre sem dor abdominal significativa, freqüentemente associado com incapacidade para reter as fezes (incontinência fecal).
Sintomas renais:

O envolvimento dos rins no paciente diabético evolui lentamente e sem provocar sintomas. Os sintomas quando ocorrem em geral já significam uma perda de função renal significativa. Esses sintomas são: inchume nos pés (edema de membros inferiores), aumento da pressão arterial, anemia e perda de proteínas pela urina (proteinúria).
Sintomas urinários:

Pacientes diabéticos podem apresentar dificuldade para esvaziamento da bexiga em decorrência da perda de sua inervação (bexiga neurogênica). Essa alteração pode provocar perda de função renal e funcionar como fator de manutenção de infecção urinária. No homem, essa alteração pode se associar com dificuldades de ereção e impotência sexual, além de piorar sintomas relacionados com aumento de volume da próstata.
Sintomas neurológicos:

O envolvimento de nervos no paciente diabético pode provocar neurites agudas (paralisias agudas) nos nervos da face, dos olhos e das extremidades. Podem ocorrer também neurites crônicas que afetam os nervos dos membros superiores e inferiores, causando perda progressiva da sensibilidade vibratória, dolorosa, ao calor e ao toque. Essas alterações são o principal fator para o surgimento de modificações na posição articular e de pele que surgem na planta dos pés, podendo levar a formação de úlceras ("mal perfurante plantar"). Os sinais mais característicos da presença de neuropatia são a perda de sensibilidade em bota e luva, o surgimento de deformidades como a perda do arco plantar e as "mãos em prece" e as queixas de formigamentos e alternância de resfriamento e calorões nos pés e pernas, principalmente à noite.
Sintomas dermatológicos:

Pacientes diabéticos apresentam uma sensibilidade maior para infecções fúngicas de pele (tinha corporis, intertrigo) e de unhas (onicomicose). Nas regiões afetadas por neuropatia, ocorrem formações de placas de pele engrossada denominadas hiperceratoses, que podem ser a manifestação inicial do mal perfurante plantar.