O diabetes pode estar relacionado à maneira como a pessoa interpreta, aceitando ou não, o fato. A maneira de encarar e tratar o diabetes depende muito da estrutura, personalidade e disciplina. Pode-se ter uma qualidade de saúde altamente satisfatória, assim como podemos fazer do diabetes a desculpa para os nossos insucessos.
Saber controlar a taxa de glicemia é um grande estímulo para o gerenciamento físico e mental do organismo. Quanto mais você seguir a orientação do endocrinologista, obedecer a um programa alimentar sem restrições radicais, tiver o hábito de fazer exercícios e privilegiar aquilo do que gosta, menores as chances de hipoglicemia ou desenvolver doenças oportunistas.
Especialista no tratamento do diabetes, o endocrinologista Dr. Antônio Roberto Chacra, fala das últimas novidades no tratamento do diabetes, mostradas no mais recente congresso da ADA (Associação Americana de Diabetes), realizado em junho em New Orleans, nos Estados Unidos.
Na entrevista abaixo o Dr. Chacra também dá algumas recomendações úteis, as quais certamente serão um grande incentivo para você melhorar seu estilo de vida.
Quais as principais novidades apresentadas no Congresso da Associação Americana de Diabetes?
- Os trabalhos apresentados demonstraram grande progresso nas pesquisas e estudos sobre o tratamento do diabetes. Um dos temas abordados, que mereceu muita atenção e entusiasmo, foi a Insulina Glargina, também chamada de Insulina Lantus, que deve ser administrada uma vez ao dia. Essa insulina dá um basal das necessidades do paciente, depois da suplementação da insulina ultra-rápida nas refeições, para cobrir a digestão dos carboidratos e baixar a glicemia pós-prndial, ou seja, o açúcar que sobra no sangue após as refeições. A introdução da Insulina Glargina evita picos de glicemia e, portanto, o paciente tem menos hipoglicemia. Ela é importante, no sentido de um controle mais estável, para quem tem diabetes, fazendo baixar o resultado da hemoglobina glicosilada.
Foram abordadas algumas novas estratégias do tratamento para as complicações crônicas do Diabetes?
- Houve um grande simpósio sobre o assunto, dando ênfase à dieta e ao exercício, com o chamado estudo “STENO-2”. STENO é um grande centro de diabetes em Copenhague, Dinamarca. O país se dedica muito ao estudo do Diabetes, tanto na parte de controle como de pesquisa. O estudo apresentado mostrou que, com mudança de hábitos, reeducação alimentar e aeróbica, o nível de açúcar no sangue baixa, assim como a pressão arterial e o colesterol também ficam mais controlados. Isso tudo é importante, porque permite prevenir complicações do diabetes, principalmente do tipo 2, como a ocorrência de infarto do miocárdio e outras doenças coronarianas.
Quais são os grandes progressos no tratamento do diabetes?
- Na minha opinião, o maior progresso em relação ao tratamento do diabetes tipo 1 é o transplante. Foram apresentados vários trabalhos com transplante total do pâncreas e de ilhotas. Mais cedo ou mais tarde, estaremos indicando esse procedimento. É claro que ainda existe o problema da imuno-rejeição, obrigando o paciente a tomar imunossupressores. Porém, os trabalhos apresentados inicialmente têm demonstrado que os pacientes ficam livres das injeções de insulina e do controle rigoroso.
Com relação à genética, como estão os estudos?
- Na parte genética, os estudos estão progredindo com o objetivo de detectar os defeitos genéticos do diabetes tipo 2. As dificuldades são grandes, porque a doença envolve mais de 1 gene.
O que mudou com relação à monitorização nos últimos anos?
- Os trabalhos de educação têm demostrado a necessidade imperiosa de monitorização. Novos aparelhos para medir o nível de glicose no sangue têm sido introduzidos no mercado brasileiro, como o Accu-Check Active considerado o monitor mais rápido para medir a taxa de glicemia. O paciente procura a conveniência, aquilo que é menos trabalhoso. Os aparelhos estão bastante precisos e com isso a pessoa toma a decisão de quanta insulina necessita e se está apresentando ou não hipoglicemia.
Em termos de medicações orais, o que há de novo?
- Brevemente devemos contar com outros hipoglicemiantes orais, como análogos do Gli, que é Glucagon e Like-Peptide-I, que são medicamentos que devem entrar no arsenal terapêutico do tratamento do diabetes tipo 2.
Quais as novidades em insulinoterapia?
- Em relação às novidades em insulinoterapia, já está em estudo a insulina inalada. Mas é bom lembrar que essa é uma insulina de ação rápida. Ainda não podemos dispensar a aplicação da insulina lenta NPH ou, mais modernamente, a Insulina Glargina Lantus. A insulina inalada virá substituir as insulinas de ação ultra-rápida, necessárias no controle da glicose após as refeições. A inalada vai ser um grande progresso, principalmente para o diabetes tipo 2 que precisa controle de glicemia pós-prandial para evitar que a pessoa desenvolva doenças cardiovasculares.
Quando deve ser indicada a insulinoterapia para o diabetes tipo 2?
- A insulinoterapia deve ser indicada para o paciente com diabetes tipo 2 sempre que houver falha da dieta, dos exercícios, e os medicamentos orais não seguirem o controle adequado. Modernamente, a idéia é não esperar tanto e a insulina pode ser introduzida mais precocemente. É importante mencionar que antes temos de tratar a resistência à insulina, com sensibilizadores como a Metformina e as Glitazorias. Porém, assim que o paciente começar a apresentar deficiência mais acentuada da insulina, é preciso entrar com insulina por injeções. A Insulina Glargina vai propiciar uma dose de insulina basal e com isso um controle melhor, mesmo quando o paciente está tomando o medicamento oral.
Qual é sua indicação para o paciente com diabetes tipo 1?
- No diabetes tipo 1 não há dúvida, é sempre a insulina. Se a insulina não for administrada, o paciente tem uma sobrevida curta, como eram os casos de diabetes antes de 1921, o ano da grande descoberta da insulina.
Quais as dicas para quem toma medicamento e faz aplicação de insulina diariamente?
- A dica principal é fazer dieta e exercícios, sobretudo para o tipo 2. Essa conduta pode diminuir a quantidade de insulina e de remédios, o que é uma beleza. Os dinamarqueses, como já mencionei, demonstraram isso no trabalho apresentado no congresso da ADA. A insulina deve ser tomada na dose adequada e não tentar diminuir se, realmente, o diabetes não estiver controlado.
É muito importante também o controle da pressão arterial e do colesterol no paciente com diabetes, principalmente tipo 2, para evitar infarto e outras complicações. O diabetes tipo 2 está crescendo no mundo inteiro. São 150 milhôes de pessoas com esse problema. Provavelmente, isso está ligado à alimentação errada, vida sedentária e obesidade.
A melhor sugestão é praticar bons hábitos, estar atento aos sinais do organismo, controlar a taxa de glicemia e ter sempre uma boa qualidade de vida.
Fonte: Revista “De Bem Com a Vida” (Roche Diagnóstica)
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